Vila Chã:

A existência de um castro e santuários rupestres nas imediações da aldeia comprovam o seu povoamento desde tempos ancestrais. Nesta terra de tradições deparamo-nos com o granito característico da sua arquitetura mais típica e em qualquer uma das esquinas de “Bila Chana” podemos encontrar alguém a falar Mirandês.

Figuras ilustres fizeram parte da história da aldeia sendo que algumas delas habitaram a Casa D’Augusta como:

Diogo de Teive (1514-1565) escritor português quinhentista. Abade de Vila Chã esteve ligado ao círculo de humanistas do reinado de D. João lll. Aos doze anos iniciou uma longa carreira de aprendizagem fora de Portugal, tendo estudado em Paris. Prosseguiu estudando Direito na Universidade de Salamanca, daí seguindo para Toulouse e a convite do Humanista André de Gouveia, lecionou Humanidades, por mais de uma ocasião, no Colégio de Guiena, em Bordéus. Ainda com André de Gouveia colaborou no recrutamento de docentes para o Colégio das Artes que o rei D. João lll fundou em Coimbra e de 1547 em diante foi aí professor. Passados três anos foi preso pela Inquisição por suspeita de simpatia pela causa protestante. Condenado pelo Santo Ofício a duras penitências somente a intervenção do Cardeal D. Henrique o livrou da pena. Retirou-se então para Braga, de onde era natural, enveredando pela carreira eclesiástica. O seu prestígio intelectual fez com que fosse novamente chamado ao Colégio das Artes, chegando a ser principal em 1555, altura em que a escola foi entregue aos jesuítas. Ficou famoso como orador e, enquanto escritor, debruçou-se sobre inúmeros géneros literários. Escrevendo sobretudo em latim, foi historiador, pedagogo, autor de obras dramáticas e um poeta que cultivou variados estilos. Das suas obras destacam-se: commentarius de Redus a Lusitanis in Índia Apud Dium Gestis (1548), Opuscula Aliquot Salamanticae (1558, incluindo Ioannes Princeps Tragoedia) e Epodon Sive lambicorum Carminum Libri Três (1565).

Terá habitado nesta casa enquanto Abade de Vila Chã.

Historia:

Segundo o historiador Dr. Herminio Bernardo, esta propriedade terá pertencido à Abadia, conservando a inscrição de 1753 e outros símbolos religiosos gravados no portal de entrada. Dotada de terras reconhecidamente férteis, foi o sustento de grande parte da população na altura das colheitas.

A Propriedade terá então passado para o Juiz Conselheiro Carlos Alves, figura ilustre desta terra, seu filho, Artur Alves casa com uma tia avô nossa. Maria Augusta Antas de Barros, minha mãe, mais tarde adquire a Quinta dando assim continuidade ao labor de séculos de gerações daquela que era considerada das melhores propriedades da aldeia.

Não poderíamos permitir que este legado de gerações se perca, honrando a memória e o trabalho dos nossos antepassados, adaptando aos tempos modernos para que outros possam saborear esta terra e este ambiente.

A Casa Augusta é assim um tributo ao nome, ao trabalho e á generosidade de todos quantos contribuíram para que chegasse aos dias de hoje, e principalmente à Maria Augusta, pois enquanto o seu nome for lembrado, nunca morrerá.